"No fim de contas, o que somos, o que é cada um de nós senão uma combinatória, diferente e única, de experiências, de leituras, de imaginações?" Enrique Vila-Matas
quarta-feira, 27 de abril de 2011
terça-feira, 17 de junho de 2008
já repararam na data de hoje?
o meninas... faz hoje 2 anos 1 mês e 20 dias, que emoção :')

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007
[ quando a defesa desfoca ] [ desaguar em tons de cinza ]
Os silêncios incómodos acontecem-nos mais vezes com aqueles que amamos. É pena. Julgo que a vida só poderá ser perfeita quando ao silêncio nós pudermos responder com silêncio. O problema surge quando as pessoas que se amam resolvem interrogar-se sobre o silêncio, muitas vezes com mais silêncio. Sentem um certo desconforto quando não ouvem o verbo azul. Ninguém lhes explicou que jogar à defesa pode ser bastante desconfortável.

Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007
luz
Acendo o isqueiro pela terceira vez, enveredando por uma inalação profunda.
São os sinais deste tempo.
Desprezo a jorros esta característica de fala encapuçada.
Sabes, como nos sonhos.
Porque não ser a claridade de pensamento?
Fatigo a passos o meu ser com a ignomínia com que desafio a minha cognição.
É este um dos ócios que me assola enquanto estou pardacenta.
Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2006
post mode telegráfico ] porque ideias soltas voluntariosas* [ sem partículas ligação lhes valham

Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2006
bitch!
a margarete está em mode
[ espreita a net a cada 5 min enquanto está ao pc a trabalhar em fase deadline, diria quase buriedline ]

a margarete está amuada

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007
resíduo
As paredes são um forro de cerâmica a imitar mármore verde. As cadeiras devem ser design (como oiço dizer por aí, “é muito design”, também já ouvi dizer “é muito fashion”), o forro das cadeiras imita cerejeira. Vende-se água gaseificada artificialmente, a vários sabores. A meia-de-leite foi-me servida tal como gosto: com espuma e aquele pequeno círculo castanho por entre a espuma a anunciar muito café, morna, como gosto.Esta folha de papel não é de tom areia, como gosto. Esta é a folha de um bloco, com um rodapé publicitando um produto especializado na comunicação humana. Não escrevo a preto-fino, escrevo a azul, caneta de bico médio.
Do guarda-fatos saiu a primeira camisola quente que a minha mão apanhou, sem olhar a meios de toilette-a-combinar, esta camisola cobre-me. De dentro para fora, sem olhar espelhos, tenho certeza de hoje não haver beleza no meu corpo. Da minha face não quero ver reflexos.
A cerca de 2 metros e meio deste meu corpo, a imagem do homem incapacitado pelo tempo atravessa a montra. O homem faz três tentativas até conseguir organizar-se de forma a sair do automóvel. São muitos minutos eternos. O meu corpo imóvel acompanha os movimentos da minha mente sem faculdade de entre-ajuda. Enfim, o homem desaparece do meu alcance.
Passa então a mulher. A mulher feia é a coisa mais bonita do meu dia. A mulher bonita deixa que os meus pés assentem o chão.
Gosto do lenço que envolve a cabeça dela.
Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007
entretenimento
(nova pausa)
Estou apenas a preencher páginas porque a insónia deu lugar a este estado de quietação balbuciante. O pensamento não encontra método por onde encetar o sono, é a cabeça, salta entre ideias que não chegam a emoção consolável. Então escrevo numa laia tecnocrata a desgastar-me no tempo intermédio. Parcos minutos restam até reiniciar. Decido e ajo: passo as poucas páginas e encontro o dia referente às próximas horas onde registo o plano da labuta.É apenas isto, o entretenimento da linguagem.
Terça-feira, 17 de Janeiro de 2006

terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Sexta-feira, Janeiro 13, 2006 (sim eu sei atrasei-me a repostar)
Elas vão à parteira que lhes diz que já vai adiantado. Elas alargam o cós das saias. Elas choram a vomitar na pia. Elas limpam a pia. Elas talham cueiros. Elas passam fitilhos de seda no melhor babeiro. Elas andam descalças que os pés já não cabem no calçado. Elas urram. Elas untam o mamilo gretado com um dedal de manteiga. Elas cantam baixinho a meio da noite a niná-los para que o homem não acorde. Elas raspam as fezes das fraldas com uma colher romba. Elas lavam. Elas carregam ao colo. Elas tiram o peito para fora debaixo de um sobreiro. Elas apuram o ouvido no escuro para ver se a gaiata na cama ao lado com os irmãos não dá por aquilo. Elas assoam. Elas lavam joelhos com água morna. Elas cortam calções e bibes de riscado. Elas mordem os beiços e torcem as mãos, a jorna perdida se o febrão não desce. Elas lavam os lençóis com urina. Elas abrem a risca do cabelo, elas entrelaçam. Elas compram a lousa e o lápis e a pasta de cartão. Elas limpam rabos. Elas guardam uma madeixita entre dois trapos de gaze. Elas talham um vestido de fioco para uma boneca de papelão escondida debaixo da cama. Elas lavam as cuecas borradas do primeiro sémen, do primeiro salário, da recruta. Elas pedem fiado popeline da melhor para a camisa que hão-de levar para a França, para Lisboa. Elas vêm trazer um borrego à primeira barraca e ao primeiro neto. Elas poupam no eléctrico para um carrinho de corda.
Maria Velho da Costa
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Sábado, 14 de Janeiro de 2006
I'm sure my cat loves me more on Saturdays

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
POST REPRODUZIDO NA ÍNTEGRA DO BLOG DE MIGUEL - O CAFÉ DOS LOUCOS
Coimbra, 11 de Janeiro de 1948

DIZEM QUE A PAIXÃO O CONHECEU
dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite
enumera o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice
conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo
dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nenhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos
Al Berto
bica tirada por miguel.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007
(...)
fere-se na vidraça o reflexo decomposto do meu rosto
no regresso a casa
há horas em que estar feliz
é quase complacente ausência.
blue in blue moleskin
Os meus braços estão levantados. Abertos. Abriram-se no último dia azul, desde então ficaram assim. Se alguma coisa fica para trás é porque a sua realização exige que baixe os braços, não posso. Talvez conseguisse, mas não quero. Os meus braços estão levantados. Abertos. E eu faço uma roda-viva com o corpo a ver se levanto voo. Uso o vento corpóreo com os meus moinhos.

Terça-feira, 10 de Janeiro de 2006
E assim escondo-me atrás da porta, para que a Realidade, quando entra, não me veja. Escondo-me debaixo da mesa, donde subitamente prego sustos à Possibilidade. De modo que desligo de mim, como aos dois braços de um amplexo, os dois grandes tédios que me cingem – o tédio de poder viver só o Real, e o tédio de poder conceber só o Possível.
Triunfo assim de toda a realidade. Castelos de areia, os meus triunfos?... De que cousa essencialmente divina são os castelos que não são de areia?
Como sabeis que, viajando assim não me segui [?] obscuramente? Infantil de absurdo, revivo a minha meninice, e / brinco com as ideias das cousas como com soldados de chumbo com os quais eu, quando menino, fazia cousas que embirravam com a ideia de soldado. /
Ébrio de erros, perco-me por momentos de sentir-me viver.
Sei que despertei e que ainda durmo. O meu corpo antigo, moído de eu viver, diz-me que é muito cedo ainda… sinto-me muito febril de longe. Peso-me, não sei porquê…
Num torpor lúcido, pesadamente incorpóreo. Estagno, entre o sono e a vigília, num sonho que é uma sombra de sonhar. Minha atenção bóia entre dois mundos e vê cegamente a profundeza de um mar e a profundeza de um céu; e estas profundezas interpenetram-se, misturam-se, e eu não sei onde estou nem o que sonho.
Bernardo Soares
Viagem nunca feita (II), Livro do Desassossego (2ª parte)
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
[ efemérides ] 23, 24 e 25 de Dezembro
Para o mal.
Boas festas para todos… que ainda vou a tempo :)

O Natal, a grande festa doméstica de Inglaterra, foi este ano triste – dessa tristeza particular que oferece, por um dia de calma ardente, a praça deserta da vila pobre, ou dessa melancolia que infundem umas poucas de cadeiras vazias em torno de um fogão apagado, numa sala a que se não voltará mais…
O que nos estragou o Natal, não foram decerto as preocupações políticas, apesar da sua negrura de borrasca.
(…) o que nos estragou o Natal, foi simplesmente a falta de neve. (…)
Aqui estamos sobre este globo há doze mil anos a girar fastidiosamente em torno do sol, e sem adiantar um metro na famosa estrada do progresso e da perfectibilidade: porque só algum ingénuo de província é que ainda considera progresso a invenção desses bonecos pueris que se chamam máquinas, engenhos, locomotivas, etc., e essas prosas laboriais e difusas que se denominam sistemas sociais.
No dois ou três primeiros mil anos de existência trepámos a uma certa altura de civilização; mas depois temos vindo rolando para baixo numa cambalhota secular.
O tipo secular e doméstico de uma aldeia Ária do Himalaia, tal como uma vetusta tradição o tem trazido até nós, é infinitamente mais perfeito que o nosso organismo doméstico e social. Já não falo de gregos e romanos: ninguém hoje tem bastante génio para compor um coro de Esquilo ou uma página de Virgílio; como escultura e arquitectura, somos grotescos; nenhum milionário é capaz de jantar como Lúculo; agitavam-se em Atenas ou Roma mais ideias superiores num só dia do eu nós inventámos num século; os nossos exércitos fazem rir, comparados às legiões de Germânicos; não há nada equiparável À administração romana; o boulevard é uma viela suja ao lado da Via Ápia; nem uma Aspásia temos; nunca ninguém tornou a falar como Demóstenes; e o servo, o escravo, essa miséria de antiguidade, não era mais desgraçado que o proletário moderno.
De facto, pode-se dizer que o homem nem sequer é superior ao seu venerável pai – o macaco; excepto em duas coisas temerosas – o sofrimentos moral e o sofrimento social.
Deus tem só uma medida a tomar com esta humanidade inútil: afogá-la num dilúvio. Mas afogá-la toda, sem repetir a fatal indulgência que o levou a poupar Noé; se não fosse o egoísmo senil desse patriarca borracho, que queria continuar a viver, para continuar a beber, nós hoje gozaríamos a felicidade inefável de não sermos…
O Natal, retirado de "Cartas de Inglaterra"
Eça de Queiroz
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006 [ "efeméride" com 1 dia de atraso, mas esta tem de ser :) ]
Paz! A porta bate e fecha com tudo o resto lá para fora, mas a entrar desalmadamente pelas frestas o tudo, afinal, vem também. Assumo as toadas que oiço na rua e trago as luzes a piscar na córnea. Gosto dos papéis coloridos e das árvores folclóricas. Não lamento a ausência cada vez mais carpida do menino Jesus mas entristecem-me árvores design. Se uma árvore de natal deve de ser então que seja sem modos nem elegância. Cor.
A família só deseja uma noite serena, assumindo ainda a curiosidade à volta da mais pequena “que ela agora já percebe esta coisa das prendas”. A família quer que conduza com cuidado e que chegue sã.
Inevitavelmente, e tal como a Scrooge, acontece a visita aos Natais. Os Natais Passados, o Natal Presente e os Natais Futuros, a época com data marcada no calendário para a forçosa revisita e cogitação, têm o apanágio de serem enfim iguais. Antes, agora e depois, tudo o resto também é comum, afinal.
A família quer que chegue sã. Tomarei as devidas precauções para chegar de corpo inteiro.

Ao chegar, o meu desejo também é encontrar a família sã.
.
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Quinta-feira, 30 de Novembro de 2006
Na força da hora da morte puxou o amigo pelos colarinhos para junto dos seus lábios e disse adeus.
Acrescentou de punhos encerrados:
– estou arrependida
tantas vezes me cansei
das coisas que não fiz.
Terça-feira, 29 de Novembro de 2005 [ "efeméride" com 1 dia de atraso, mas esta tem de ser :) ]
o poeta Carlos Drummond de Andrade, começa assim o "Poema de Sete Faces":
Desses que vivem na sombra
Disse: Vai, (...) »

terça-feira, 27 de novembro de 2007
Segunda-feira, 27 de Novembro de 2006
Arregaça-me aí dentroque o mundo está muito
para este corpo
em decomposição
do desalento
apreendo-o mais
um pouco
ao mundo
muito
aí dentro
ele floresce
este
o meu corpo
a renovar
e sinto-me
mais um sorriso.
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