Já diz o bom povo que mais vale um bom desengano do que andar enganado sempre. Pois… erm… Andei um terço da minha vida a chamar botins* às galochas. Eu que até tenho a mania de achar que aplico bem as palavras.
Bem, estou esclarecida, parece que a única com dúvidas quanto à nomenclatura dessa sapatagem era apenas eu.
Na verdade, fiquei triste, gostava de dizer botins com a entoação que se dá na aldeia da minha avó, sim, porque os botins* (okok,
galochas) são para ir regar, não são aquelas mariquices maravilhosas para a poética actividade de chapinhar nas poças de água da chuva (os clássicos: #
1 #
2).
Enfim, isto tudo porque uma das rubricas deste blog (sapatagem, especificamente botins: #
1, #
2, #
3) veio à baila com uma amiga. Dizia a moça que ouviu, na rádio, pela voz desse supra-sumo da moda que é Nicolau Breyner a resposta à questão "o que é que é imprescindível para ter no guarda-roupa esta estação?" com a atrocidade “Os botins!”. A moça em questão, que se julgava ser a única que não consegue gostar de botins, aquela coisa que não é sapato nem bota. Já ficou a saber que não está só. Tanto melhor, já posso dizer que ajudei a salvar uma alma. ok, salvação é um bocado exagerado mas pelo menos ajudei a acalmar a alma à gaija. Oremos, todas juntas:
coisas muito, muito feias ofendem-nos! Coisas muito, muito feias ofendem-nos!
* botim: s. m., bota de cano curto, o qual termina logo após o tornozelo. (priberam) :/